Tancredo de Almeida Neves (1910–1985) foi um político brasileiro central na transição da ditadura militar para a democracia. Eleito presidente da República em 1985, tornou-se símbolo da redemocratização, mas faleceu antes da posse, gerando comoção nacional.
Formação e início na política
Advogado formado pela Universidade de Minas Gerais em 1932, Neves iniciou sua carreira política como vereador em São João del-Rei, em 1935. Atuou inicialmente no Partido Progressista, passando ao PSD após a redemocratização de 1945. Sua habilidade conciliadora e moderação o destacaram como figura de peso na política mineira e nacional.
Carreira política nacional
Foi deputado estadual, federal e ministro da Justiça no governo de Getúlio Vargas, lidando com a crise que culminou no suicídio do presidente em 1954. Em 1961, liderou a transição para o parlamentarismo e tornou-se primeiro-ministro no governo de João Goulart. Durante a ditadura militar (1964–1985), integrou o Movimento Democrático Brasileiro, sendo uma das principais vozes moderadas da oposição.
Governador e redemocratização
Eleito governador de Minas Gerais em 1982 pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, ganhou projeção nacional ao apoiar as Diretas Já e articular a Aliança Democrática com dissidentes do PDS. Em 1985, venceu a eleição indireta no Colégio Eleitoral, tornando-se o primeiro civil escolhido para a Presidência após duas décadas de regime militar.
Doença e legado
Na véspera da posse, Tancredo foi internado com grave infecção abdominal, vindo a falecer após sete cirurgias. Seu vice, José Sarney, assumiu o governo. A morte de Tancredo foi vista como um luto coletivo e consolidou sua imagem de mártir da Nova República, marco do retorno da democracia brasileira.
