Francisco de Paula Rodrigues Alves (1848–1919) foi advogado e estadista brasileiro, quinto presidente da República (1902–1906) e uma das figuras centrais da Primeira República. Seu governo destacou-se pela modernização urbana e sanitária do Rio de Janeiro e por políticas de estabilidade fiscal e prestígio internacional. Reeleito em 1918, não chegou a tomar posse, vitimado pela gripe espanhola.
Formação e início da carreira
Bacharel em Direito pelo Largo de São Francisco, Rodrigues Alves iniciou-se como promotor e juiz em Guaratinguetá. Foi deputado provincial, presidente da província de São Paulo e ministro da Fazenda nos governos Floriano Peixoto e Prudente de Morais. Sua trajetória consolidou a reputação de administrador rigoroso e reformista.
Governo e modernização do Rio de Janeiro
Como presidente, conduziu um ambicioso programa de reformas urbanas e sanitárias na então capital federal. Nomeou Pereira Passos prefeito e Oswaldo Cruz diretor de Saúde Pública, promovendo saneamento, demolição de cortiços e combate a epidemias como febre amarela e varíola. Essas medidas culminaram na Revolta da Vacina (1904), mas erradicaram doenças e transformaram a cidade.
Política econômica e diplomacia
O governo manteve equilíbrio fiscal e favoreceu o comércio exterior, apoiado pelo ciclo da borracha. Sob liderança do Barão do Rio Branco, firmou-se o Tratado de Petrópolis (1903), incorporando o Acre ao Brasil e consolidando fronteiras. Internamente, Rodrigues Alves resistiu ao Convênio de Taubaté, que favorecia cafeicultores, embora este tenha sido aprovado no fim do mandato.
Últimos anos e legado
Reeleito em 1918, não assumiu devido à saúde debilitada, falecendo durante a pandemia de gripe espanhola. Fundador do Instituto Butantan e da Faculdade de Medicina de São Paulo, deixou marca duradoura na saúde pública e na infraestrutura urbana. Sua gestão é lembrada como símbolo de modernização e disciplina administrativa na Primeira República.
