Pascoal Ranieri Mazzilli (1910–1975) foi um político brasileiro que exerceu duas vezes a presidência da República de forma interina — em 1961 e 1964 — durante momentos de crise institucional. Sua segunda passagem pelo cargo, entre 2 e 15 de abril de 1964, ocorreu logo após o golpe militar que depôs João Goulart.
Segundo governo interino (abril de 1964)
Após a deposição de João Goulart pelo movimento militar de 31 de março de 1964, o Congresso Nacional declarou vaga a presidência, e Mazzilli, então chefe da Câmara dos Deputados, assumiu o cargo conforme previsto na Constituição. Durante seus 13 dias de governo, o poder efetivo foi exercido pelo autodenominado Comando Supremo da Revolução, composto pelos ministros militares Costa e Silva, Rademaker Grünewald e Correia de Melo. O período serviu de transição até a posse do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, eleito indiretamente em 15 de abril de 1964.
Contexto e significado
O breve governo de Mazzilli representou a passagem formal do regime civil ao militar. Embora sem poder de decisão real, sua atuação garantiu a continuidade institucional e evitou confrontos abertos. Historicamente, é lembrado como um presidente de transição, cujo papel foi essencialmente constitucional e conciliador em meio à ruptura política de 1964.
Legado
Antes e depois da presidência, Mazzilli destacou-se pela defesa do equilíbrio institucional no Legislativo. Sua carreira ilustra a figura do político técnico e moderado, cuja contribuição principal foi preservar a legalidade durante as crises sucessórias do início da década de 1960.
