Nilo Procópio Peçanha (1867–1924) foi advogado e político fluminense que presidiu o Brasil entre 1909 e 1910, após a morte de Afonso Pena. É reconhecido como o primeiro presidente negro do país e patrono da educação profissional e tecnológica brasileira. Seu governo destacou-se por políticas de inclusão educacional e pela criação de órgãos modernos de desenvolvimento econômico e social.
Trajetória política
Peçanha iniciou-se na política como deputado constituinte em 1890 e foi eleito várias vezes deputado federal antes de se tornar senador e presidente do estado do Rio de Janeiro (1903–1906). Vice de Afonso Pena, assumiu a presidência em 1909 e, depois, exerceu cargos de senador e ministro das Relações Exteriores (1917–1918), participando das discussões que levaram o Brasil à Primeira Guerra Mundial. Em 1922, liderou a Reação Republicana contra o domínio das oligarquias paulista e mineira, sendo derrotado por Artur Bernardes.
Governo e legado
Durante seu curto mandato presidencial, Peçanha criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, o Serviço de Proteção aos Índios, liderado por Cândido Rondon, e a rede de Escolas de Aprendizes Artífices, embrião dos atuais institutos federais de educação tecnológica. Essas iniciativas visavam integrar trabalhadores e populações marginalizadas ao desenvolvimento nacional.
Identidade racial e reconhecimento
Descrito como “mestiço do Morro do Coco”, Peçanha enfrentou racismo sistemático e tentativas de apagamento de sua origem afrodescendente. Apesar disso, tornou-se símbolo da ascensão de pessoas negras à esfera política e é considerado o primeiro e único presidente negro do Brasil. Sua trajetória representa um marco na história da representatividade racial e educacional do país.
