Jânio da Silva Quadros (1917–1992) foi um político brasileiro que exerceu a Presidência da República por apenas sete meses em 1961. Figura populista e moralizadora, destacou-se pelo estilo excêntrico e pela retórica anticorrupção, simbolizada pela vassoura de campanha que prometia “varrer os corruptos do governo”. Sua renúncia inesperada desencadeou uma das maiores crises políticas da história do Brasil.
Ascensão política
Quadros iniciou a carreira como vereador em São Paulo (1948), ganhando notoriedade por sua defesa da moralização administrativa. Foi prefeito e governador paulista, consolidando-se como um político de massas com apelo entre setores populares e empresariais. Sua campanha presidencial de 1960, apoiada pela União Democrática Nacional (UDN), explorou o carisma e o discurso anticorrupção, levando-o à vitória com ampla margem de votos .
Governo e renúncia
No curto mandato presidencial, lançou um programa econômico de austeridade — com desvalorização do cruzeiro e corte de subsídios — e adotou a chamada “política externa independente”, restabelecendo relações com a União Soviética e condecorando Ernesto Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul. Essas ações provocaram resistência entre militares e conservadores. Em 25 de agosto de 1961, alegando enfrentar “forças terríveis”, renunciou ao cargo, possivelmente esperando ser reconduzido com poderes ampliados — o que não ocorreu .
Exílio e retorno
Após a renúncia, teve seus direitos políticos cassados pelo regime militar instaurado em 1964. Com a anistia, retornou à vida pública, elegendo-se prefeito de São Paulo em 1985. Manteve o estilo moralizador e polêmico até o fim da carreira .
Legado
Jânio Quadros permanece como uma das figuras mais enigmáticas da política brasileira: um reformista moralista que, ao tentar desafiar o sistema, precipitou o colapso da Quarta República e abriu caminho para o conturbado período que culminaria no golpe militar de 1964.
