Humberto de Alencar Castelo Branco (1897–1967) foi um marechal e político brasileiro, primeiro presidente do regime militar instaurado pelo golpe de 31 de março de 1964 que depôs João Goulart. Seu governo (1964–1967) inaugurou duas décadas de ditadura militar no Brasil, marcadas por forte centralização política e reformas econômicas liberais.
Carreira militar e ascensão
Filho de militar, estudou em colégios e academias do Exército, integrando a FEB durante a Segunda Guerra Mundial. Promovido a general em 1962, comandou o IV Exército em Recife e chefiou o Estado-Maior do Exército (1963–1964). Foi um dos articuladores centrais do golpe de 1964 e, após eleição indireta pelo Congresso, tornou-se o 26º presidente do Brasil.
Governo e política
Seu mandato consolidou a estrutura jurídica do novo regime por meio dos Atos Institucionais (AI-1 a AI-4). O AI-2 (1965) extinguiu os partidos existentes e criou o sistema bipartidário — Arena (governista) e MDB (oposição consentida). Também instituiu eleições indiretas para presidente e governadores, ampliando o controle militar sobre o processo político.
Política econômica e reformas
Castelo Branco lançou o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), elaborado por Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões, visando conter a inflação e modernizar a economia. Criou o Banco Central, o Conselho Monetário Nacional, o BNH, o FGTS e promoveu o Estatuto da Terra. Suas políticas marcaram a transição para uma orientação liberal com apoio externo, especialmente dos Estados Unidos.
Legado e morte
O governo de Castelo Branco estruturou o arcabouço autoritário que sustentaria o regime militar até 1985, restringindo liberdades civis e perseguindo opositores. Após deixar a presidência, morreu em colisão aérea no Ceará, em julho de 1967, poucos meses depois de transmitir o cargo a Artur da Costa e Silva.
