João Fernandes Campos Café Filho (1899–1970) foi um político, advogado e jornalista brasileiro que presidiu o país entre 1954 e 1955. Tornou-se o 18.º presidente do Brasil ao assumir o cargo após o suicídio de Getúlio Vargas, sendo o primeiro protestante a ocupar a chefia do Executivo nacional.
Formação e início político
Café Filho começou como jornalista militante, fundando o Jornal do Norte (1921) e dirigindo A Noite em Recife. Envolveu-se com movimentos reformistas e participou da Revolução de 1930. Em 1933, fundou o Partido Social Nacionalista do Rio Grande do Norte e elegeu-se deputado federal (1935–1937), destacando-se na defesa das liberdades constitucionais. Após o exílio na Argentina durante o Estado Novo, retornou e reelegeu-se deputado em 1946.
Vice-presidência e ascensão ao poder
Eleito vice-presidente na chapa de Vargas em 1950, assumiu a Presidência em 24 de agosto de 1954, em meio à comoção nacional. Procurou equilibrar forças políticas opostas e manter a ordem democrática até as eleições de 1955.
Governo e políticas
Seu governo teve caráter transitório e conciliador. Adotou medidas econômicas ortodoxas sob o ministro Eugênio Gudin, como contenção de crédito e corte de gastos para controlar a inflação. Instituiu o imposto de renda retido na fonte e o Fundo de Eletrificação Federal, além de incentivar o capital estrangeiro e criar a comissão responsável por definir a localização da futura capital, Brasília.
Crise e afastamento
Em novembro de 1955, afastou-se por motivo de saúde, sendo substituído por Carlos Luz. Ao tentar reassumir o cargo, foi impedido pelo Congresso, que confirmou Nereu Ramos até a posse de Juscelino Kubitschek.
Últimos anos e legado
Afastado da política, foi ministro do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara (1961-1969). Publicou as memórias Do Sindicato ao Catete (1966). Seu breve governo marcou a transição entre o ciclo varguista e o desenvolvimentismo de Juscelino, sendo lembrado pela tentativa de estabilizar o país em um dos períodos mais turbulentos da República.
