Zuenir Ventura (1931–2026) foi um dos maiores jornalistas e escritores brasileiros, autor de clássicos da reportagem como 1968: O Ano que Não Terminou e Cidade Partida. Em mais de seis décadas de carreira, passou pelas principais redações do país, formou gerações de repórteres e se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira deixada por Ariano Suassuna.
Trajetória
Nascido em Minas Gerais, Zuenir se mudou aos 11 anos para Nova Friburgo, na região serrana do Rio. Antes de virar jornalista, trabalhou como pintor, bancário, faxineiro e balconista. Estudou Letras na antiga Faculdade Nacional de Filosofia, hoje UFRJ.
Construiu a carreira nas maiores redações do país, entre elas o Correio da Manhã, a revista O Cruzeiro, a Veja, a IstoÉ, o Jornal do Brasil e o O Globo, onde assinou coluna por anos. Também foi professor de Comunicação Verbal na ESDI, da qual participou desde a fundação, em 1963.
Os livros
Seu trabalho mais célebre é 1968: O Ano que Não Terminou (1989), retrato do ano mais turbulento da ditadura militar, que inspirou a minissérie Anos Rebeldes, da Globo. Em Cidade Partida (1994), mergulhou na violência e na desigualdade do Rio de Janeiro, livro que lhe rendeu o Prêmio Jabuti em 1995.
Escreveu ainda Inveja: Mal Secreto (1998), Chico Mendes: Crime e Castigo (2003), 1968: O Que Fizemos de Nós (2009) e Sagrada Família (2012).
Legado
Zuenir ficou marcado por unir a apuração rigorosa da reportagem à qualidade literária da escrita. Foi referência para gerações de jornalistas e uma das vozes mais respeitadas do país na análise da sociedade brasileira, da ditadura à violência urbana.
Vida pessoal
Foi casado com Mary Ventura e teve dois filhos. Manteve-se ativo escrevendo até idade avançada, publicando textos e participando da vida da Academia Brasileira de Letras.
Falecimento
Zuenir Ventura morreu em 22 de setembro de 2026, aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família. Sua partida foi lamentada por jornalistas, escritores e pela Academia Brasileira de Letras, que o reconheceram como um dos nomes fundamentais do jornalismo e da literatura do Brasil.
