Benito di Paula (1941–2026) foi um dos grandes nomes do samba brasileiro e o artista que levou o piano para o centro do gênero, numa época em que o instrumento não era comum nas rodas. Dono de uma obra que vendeu mais de 50 milhões de discos, emplacou clássicos como Retalhos de Cetim, Mulher Brasileira e Charlie Brown, e marcou presença nas trilhas de novela das décadas de 1970 e 1980.
Trajetória
Nascido em Nova Friburgo, na região serrana do Rio, Uday Vellozo era um dos 12 irmãos de uma família humilde — o pai, José, era ferroviário. Ainda adolescente, cantava no Hotel Avenida da cidade. O nome artístico nasceu de uma escolha: adotou Benito e acrescentou di Paula para dar sonoridade italiana.
Gravou pela primeira vez em 1956, e nos anos 1960 trabalhou como crooner em boates do Rio, de Santos e de São Paulo. O estouro veio nos anos 1970, com os discos e a televisão — chegou a apresentar o programa Brasil Som 75, na TV Tupi.
O piano no samba
A grande marca de Benito foi colocar o piano no coração do samba, misturando o gênero com boleros e ritmos latino-americanos. Ele pegava os acordes que havia aprendido no violão e os transportava para o teclado, criando um som próprio.
A crítica rotulou seu estilo de "samba-joia", classificação que ele rejeitava. Preferia se definir como "sambeiro" e "pianeiro".
Os sucessos
Emendou êxitos ao longo de cinco décadas: Canção para o Nosso Amor (1968, que entrou na novela Nino, o Italianinho), Faça de Mim Uma Ilha (1970), Retalhos de Cetim (1973), Charlie Brown (1974), Mulher Brasileira (1975), Do Jeito que a Vida Quer (1976), Osso Duro de Roer (1977), Ah! Como Eu Amei (1981, tema da novela O Homem Proibido), Amigo do Sol, Amigo da Lua (1984, tema de A Gata Comeu) e Fazendo Paixão (1990).
Entre os álbuns estão Benito di Paula (1971), Ela (1972), Um Novo Samba (1973), Gravado ao Vivo (1974), Caprichos de la Vida (1978, em espanhol), Bom Mesmo é o Brasil (1983), Nação (1985) e Baileiro (1996). Seguiu gravando até os anos 2020, ao lado do filho Rodrigo Vellozo.
Prêmios e reconhecimento
Recebeu o Prêmio Chico Viola (1970), o Troféu Imprensa de melhor cantor (1976) e a Medalha Tiradentes. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro levou sua obra como enredo para o carnaval.
Curiosidades
Seu LP de estreia, em 1971, trazia a canção Apesar de Você e acabou recolhido durante a ditadura militar. Luiz Gonzaga o chamava de "filho postiço" e chegou a dedicar uma música a ele.
Vida pessoal
Teve três filhos. Rodrigo Vellozo, cantor e pianista, trabalhou com o pai em discos e shows. Outro filho, André, morreu em 2019.
Falecimento
Benito di Paula morreu em 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, em um hospital particular de São Paulo, em decorrência de um câncer que enfrentava havia cerca de um ano. Sua morte foi lamentada por sambistas, músicos e pelo público que o acompanhou por mais de cinco décadas.
