Copa de 1998: a convulsão de Ronaldo e a final que deixou o Brasil sem resposta
Favorito ao título, o Brasil chegou à final contra a França cercado por uma crise inesperada envolvendo Ronaldo, que teve uma convulsão horas antes da decisão.

A Copa de 1998 ficou marcada como uma das derrotas mais misteriosas e dolorosas da seleção brasileira. O Brasil chegou à final contra a França com status de favorito, tinha Ronaldo no auge, uma equipe experiente e a chance de conquistar o pentacampeonato apenas quatro anos depois do tetra nos Estados Unidos.
Mas o dia 12 de julho de 1998 não entrou para a memória apenas pelo placar. Entrou pela confusão antes do jogo, pela escalação alterada, pela convulsão de Ronaldo e pela sensação de que o país assistiu a algo que nunca foi totalmente explicado para o torcedor comum.
Naquele domingo, o Brasil enfrentaria a França no Stade de France, em Saint-Denis. Era a final perfeita para os donos da casa, mas também parecia uma grande oportunidade para a seleção brasileira confirmar sua força. Ronaldo era o principal nome do futebol mundial. Rápido, decisivo e jovem, ele representava uma nova era do ataque brasileiro.
Horas antes da partida, porém, veio o episódio que mudou o clima da decisão. Ronaldo sofreu uma convulsão no hotel da seleção. A notícia não chegou ao público imediatamente, mas nos bastidores a situação gerou tensão, medo e incerteza. O atacante chegou a ser retirado da escalação inicial. Depois, voltou ao time titular.
A partir daí, a final ganhou um peso estranho. O Brasil entrou em campo com Ronaldo, mas a equipe parecia abatida, desconcentrada e sem reação. A França venceu por 3 a 0, com dois gols de Zidane e um de Petit. O sonho do penta ficou para depois.
A convulsão de Ronaldo antes da final da Copa de 1998
O episódio envolvendo Ronaldo virou o grande mistério daquela Copa. O atacante passou mal no dia da final, teve uma convulsão e foi levado para exames. A princípio, Edmundo aparecia como titular na escalação. Pouco antes do jogo, Ronaldo foi confirmado de volta.
Para quem acompanhava pela televisão, tudo parecia confuso. A escalação oficial chegou a circular sem Ronaldo. Depois, ele apareceu entre os titulares. O Brasil inteiro queria entender o que tinha acontecido. Ninguém sabia ao certo se ele estava em condições de jogar, se havia pressão para sua escalação ou se a comissão técnica realmente considerava seguro colocá-lo em campo.
Dentro das quatro linhas, Ronaldo não foi o mesmo. Participou pouco, parecia distante da intensidade habitual e não conseguiu ser o atacante explosivo que havia encantado o mundo. Mas reduzir a derrota apenas a ele seria injusto. A seleção inteira jogou mal.
A França dominou a partida, controlou o meio-campo, foi mais agressiva e aproveitou as falhas brasileiras. Zidane marcou duas vezes de cabeça em cobranças de escanteio, algo que aumentou ainda mais a sensação de apagão coletivo. O Brasil, que tinha talento de sobra, parecia emocionalmente desmontado.
A final que virou mistério nacional
A derrota por 3 a 0 já seria forte por si só. Mas o que transformou aquela final em assunto permanente foi o antes do jogo. O torcedor brasileiro não ficou apenas triste. Ficou desconfiado, perdido e cheio de perguntas.
Por que Ronaldo jogou? Quem decidiu sua escalação? Ele estava realmente bem? A pressão comercial teve algum peso? A comissão técnica perdeu o controle emocional do grupo? O elenco entrou em campo abalado pelo susto? Essas perguntas acompanharam o pós-Copa e renderam reportagens, entrevistas, teorias e debates por muitos anos.
A Copa de 1998 também marcou uma virada na relação do torcedor com a seleção. Depois do tetra de 1994, havia confiança enorme. O Brasil parecia pronto para continuar dominando o futebol mundial. A derrota para a França mostrou que até uma geração talentosa podia desabar em uma final.
Mesmo assim, aquela campanha teve bons momentos. O Brasil chegou à decisão com vitórias importantes, Ronaldo foi um dos grandes nomes do torneio e a seleção ainda tinha jogadores como Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos, Dunga, Bebeto e Taffarel. O problema é que a imagem final engoliu quase tudo.
A final de 1998 ficou congelada na memória como um jogo estranho. Um Brasil irreconhecível, um Ronaldo abatido, uma França em festa e milhões de brasileiros tentando entender o que tinham acabado de assistir.
Quatro anos depois, em 2002, Ronaldo voltou como protagonista e liderou o Brasil ao pentacampeonato. A redenção foi enorme. Mas nem mesmo o título na Coreia e no Japão apagou totalmente o enigma de 1998.
Para o torcedor brasileiro, aquela final continua sendo uma ferida diferente. Não foi apenas perder uma Copa. Foi perder sem entender direito o que aconteceu. E, talvez por isso, a Copa de 1998 ainda seja lembrada como o Mundial da convulsão de Ronaldo, da escalação confusa e da final que deixou o Brasil sem resposta.
